domingo, 8 de junho de 2008

A prática do Dízimo como Liberdade, Igualdade e Solidariedade para com todos.


Irmãos, convido a todos para uma pequena e breve meditação sobre a prática do Dízimo. Sei que este assunto tem afugentado várias pessoas de conhecer o Evangelho solidário do Senhor Jesus, pois a visão de Dizimo ensinada passa pelo crivo do espírito Pós-Moderno e da visão Capitalista, os quais visam o acúmulo e desprezam a partilha.
Queria imaginar se a Utopia do dízimo relatada no livro de Deuteronômio fosse uma realidade aplicada pelas Igrejas Evangélicas Brasileiras. Qual a visão a sociedade brasileira teria dos cristãos e quão perto estaríamos de cumprir o nosso chamado de “Amar o próximo como a nós mesmos”?
No livro do Deuteronômio no capitulo 26 versículos de 10 a 12 das Escrituras Sagradas, temos o seguinte texto:
“E eis que agora eu trouxe as primícias dos frutos da terra que tu, ó SENHOR, me deste”. Então as porás perante o SENHOR teu Deus, e te inclinarás perante o SENHOR teu Deus,
E te alegrarás por todo o bem que o SENHOR teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.
“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem”.
O texto chama este ano de o ano dos dízimos, pois ele produz uma verdadeira transferência de bens às pessoas de fora. A oferta não deveria ser entregue nem ao Estado nem ao Templo, mas aos desamparados, necessitados e empobrecidos da sociedade (levitas, viúvas, órfãos, migrantes, estrangeiros). Neste ano do Dízimo nem o Templo nem o Estado levam nada, somente quem necessita é que recebe, tornando assim uma comunidade solidária, que busca a liberdade e igualdade de todos.
Bem, sabemos que o projeto do Dizimo em Deuteronômio foi uma Utopia que nunca foi implementada. Poderíamos então pensar em Utopia possível? O escritor uruguaio Eduardo Galeano expressou muito bem sobre a Utopia:
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
O Reverendo, Dr. Pedro Triana, da Diocese Anglicana de São Paulo, diz que esta visão utópica do livro de Deuteronômio alimenta a nossa espiritualidade, dando-nos consciência clara das relações humanas e sociais, ajudando-nos a descobrir a importância da solidariedade na procura de um mundo melhor e sobretudo mais justo.
Penso então se cada Igreja usasse a prática do Dízimo para realmente ajudar e investir nas pessoas que foram empobrecidas pelo sistema, nós os cristãos estaríamos cumprindo o nosso chamado e seríamos a “VOZ” da resistência, a milícia da bondade e os agentes da Graça e Amor de Deus, para com este mundo injusto. Como disse Martin Luther King “Eu tenho um sonho...”, ou nós temos este sonho.
Irmãos, por mais que a realidade atual nos desanime, desejo que todos nós tenhamos força para nunca parar de caminhar em direção ao projeto do Reino de Deus, por mais que pareça Utópico.

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